Remoção das comunidades que margeiam os rios e riachos urbanos: Educação Ambiental e Governança

Renata Laranjeiras Gouveia, Vanice Santiago Fragoso Selva

Resumo


Com o advento da industrialização muitas pessoas foram morar as margens de rios e riachos por serem áreas mais desvalorizadas nas cidades e por estarem próximas a um recurso tão essencial para a vida, a água. Porém, essas habitações em sua maioria não possuem serviços de saneamento básico e os efluentes são depositados sem nenhum tratamento dentro do corpo hídrico, além disso somam-se vultuosos volumes de resíduos sólidos que são lançados em seu interior. Para a revitalização de rios e riachos, há a necessidade de remoção da população que vive em seu entorno e com isso a educação ambiental e a governança ganham destaque. Este artigo tem como objetivo avaliar empiricamente dois casos de comunidades que moravam no entorno de riachos e rios urbanos e tiveram que ser desapropriadas. A primeira comunidade vivia às margens do riacho Piranhas localizado na cidade de Campina Grande, João Pessoa e a segunda vivia às margens do rio Capibaribe na cidade do Recife, Pernambuco. Os resultados apontam para a necessidade de integrar os esforços para que esta remoção ocorra, os moradores precisam saber do seu papel enquanto agente transformador do meio em que vive e a educação ambiental é a ferramenta para esse alcance. Nas desapropriações que ocorreram tanto do estado da Paraíba, quanto de Pernambuco não foi observada uma estrutura de governança e nem indicativos de trabalhos de educação ambiental junto à comunidade

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